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Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens » Fernando Pessoa «
27/04/26
O Despertar "Wilde" da Direita Portuguesa
O Despertar "Wilde" da Direita Portuguesa
Numa reviravolta estética que faria o próprio Oscar Wilde levantar-se do túmulo para aplaudir (ou lançar um comentário mordaz), os deputados do Chega decidiram inovar no figurino parlamentar. Para fugir ao "vermelho subversivo" do 25 de Abril, abraçaram o verde — talvez sem saberem que estavam a trocar a revolução proletária por um dos códigos mais fabulosos da história britânica.
Enquanto tentavam, presumivelmente, simbolizar a esperança ou a cor do partido, os deputados acabaram por adotar o símbolo máximo da subversão homossexual da Londres Vitoriana. Naquela época, usar um cravo verde na lapela era:
O "Grindr" do Século XIX: Um sinal discreto e sofisticado para homens que procuravam outros homens numa sociedade que os proibia de existir.
A Apologia do Artifício: Como não existem cravos verdes na natureza, a flor simbolizava o triunfo do "não natural" e do excêntrico sobre as normas rígidas da família tradicional.
É, no mínimo, poético ver uma bancada que se bate pelos "valores tradicionais" a desfilar com o emblema oficial do esteticismo queer. Se o objetivo era marcar a diferença, conseguiram-no com um requinte digno de uma peça de teatro de 1895.
Nota para o futuro: Antes de tingir a flora, convém consultar a enciclopédia. É que, entre a "pátria" e o "estilo", os deputados acabaram por fazer a homenagem mais inesperada da história do Parlamento à comunidade LGBTQIA+ e ao dândi mais famoso da literatura mundial.
Ricardo Tomas / Facebook
26/04/26
O cravo verde e a ignorância...

















































